quinta-feira, 19 de junho de 2014

A estreia do Brasil na Copa do Brasil

A seleção brasileira estreou na competição contra a seleção da Croácia na Arena de São Paulo. Com dois gols de Neymar (2) e um de Oscar, nossa seleção venceu por 3 a 1. Durante e após a partida os canais televisivos  vem divulgando as diversas estatísticas, como por exemplo, a posse de bola dos times (Brasil 58% e Croácia 42%) e o número de desarmes (Brasil 7 e Croácia 13). Em alguns jogos também apresentam informações da distância percorrida e da velocidade máxima de cada jogador. A FIFA está divulgando em seu site todos estes dados; desse modo, não podemos deixar de analisar a Física envolvida neles.

Qual jogador percorreu a maior distância durante a partida? Qual jogador da seleção brasileira teve maior velocidade máxima? Quem teve a maior velocidade média? Essa e outras questões podem ser respondidas ao analisarmos as estatísticas.  Falando sobre distância percorrida pelos jogadores da nossa seleção temos em primeiro lugar Luiz Gustavo com 11,166 km, Daniel Alves em segundo com 10,348 km e Oscar em terceiro com 9,931 km.
Como houve três substituições, seis jogadores permaneceram em campo por um tempo inferior ao dos outros oito jogadores. Por isso, para uma melhor discussão podemos utilizar o conceito de velocidade média. 

Calculando a velocidade média através da razão entre a distância percorrida pelo tempo em que o jogador permaneceu em campo, o nosso pódio é composto por Ramires com 2,23 m/s, Paulinho com 1,96 m/s e Luiz Gustavo com 1,92 m/s. Isso mostra uma característica dessa seleção brasileira, que os volantes participam intensamente do jogo, atacando e defendendo.  A realização das análises dessas grandezas físicas traz muitas informações sobre o perfil do jogo de cada time.  Em relação à velocidade máxima o pódio ficou formado por Ramires (31,07 km/h) , Bernard (29,23 km/h) e Marcelo (28,87 km/h).

Outro ponto que pode ser abordado é o mapa de “calor” que apresenta os locais por onde o jogador se locomoveu durante a partida.


Na figura acima podemos observar os mapas de Neymar, Oscar e Hulk. Lá podemos ver os posicionamentos de Neymar e Hulk pela direita (Hulk jogando bem próximo da linha lateral), e Oscar pela esquerda. Vale ressaltar, que Neymar e Oscar também tiveram deslocamentos pelo centro, porém, a maior parte dos deslocamentos foi pelas laterais.  

Todas estas estatísticas colaboram para um melhor entendimento da nossa seleção, e para uma melhor armação do próximo time opositor, no caso, o México.  

Postado por Osmar Preussler (Mestrando e Prof. de Física da rede estadual do RJ)

terça-feira, 3 de junho de 2014

Saltibum: saltos ornamentais


  • Após nove semanas de provas de saltos ornamentais com atores e atrizes durante o programa televisivo do Luciano Huck na rede Globo, o público pode se familiarizar, em parte, com este esporte olímpico pouco divulgado aqui no Brasil. A cada etapa vencida neste programa, a dificuldade imposta aos concorrentes amadores aumentava, literalmente, aumentava a altura da plataforma que eles deveriam saltar (3m; 5m; 7,5m; 10m).

  • O salto ornamental é esporte olímpico desde 1904, e determina que os atletas mergulhem de trampolins de 1m, e 3m e plataforma de 10m de altura, fazendo acrobacias durante o percurso.   Quando o atleta salta da plataforma, a força da gravidade atua sobre ele, imprimindo uma aceleração constante e igual a g= 9,8m/s2, de modo a aumentar sua velocidade continuamente até atingir a superfície da água.

  • Num primeiro momento, para uma análise simples do movimento, podemos desprezar a força associada a resistência do ar, que se opõe a direção de queda do atleta.  Deste modo, é possível considerar a conservação da energia mecânica do movimento, que resulta a obter o valor da velocidade do atleta ao tocar a água (v=sqrt(2gh)). Observe que a velocidade final somente depende da altura da plataforma (h) e da aceleração da gravidade, e não depende da massa corporal do atleta! Portanto, quanto mais alta a plataforma maior será a velocidade atingida por ele ao entrar na água. Para alturas de 3, 5 e 10m as velocidades finais são: 27,6km/h; 35,6km/h e 50,4km/h, respectivamente.

  • Portanto, é totalmente compreensível que os competidores do programa Saltibum tivessem receio de saltar da plataforma de 10m, especialmente, por saberem que a possibilidade de entrar na água corretamente era bem baixa!

terça-feira, 13 de maio de 2014

A Ciência da Copa do Brasil

Esporte, ciência e tecnologia sempre andaram juntos; entretanto, perceber as novidades nem sempre é fácil, especialmente, pelos torcedores, quando o  mais importante é a vitória do time do coração.  

Aproveitando a proximidade da Copa do Mundo de Futebol, a Revista INFO do mês de maio traz uma matéria interessante sobre a evolução tecnológica dos diversos aspectos que compõe este esporte.  Os avanços estão desde a bola, chuteiras, camisas, arbitragem, tecnologia dos estádios e preparação física dos atletas, e principalmente a evolução na transmissão dos jogos nos meios de comunicação.  Aqui, farei um breve resumo de alguns tópicos que achei mais interessante, a começar pela evolução do uniforme dos jogadores.

Nem eu sabia, mas a camisa do uniforme oficial do Brasil nem sempre foi amarela, na primeira participação na copa de 1914 à de 1950, ela era branca com cola azul e feita de algodão.  Pesava 400gr e quando encharcada por suor chegava a 450gr.  Outro aspecto negativo era que devido a reter grande umidade, a temperatura entre o corpo do atleta e a camisa, abaixava chegando a 24º C, provocando calafrios.  Após tentativas de fabricação com outros materiais, a camisa que será utilizada neste mundial é de dry fit, material feito a partir da reciclagem de garrafas pets, usa cola no lugar da costura, e pesa apenas 134gr. Este material deixa o corpo ventilar, não retêm suor e mantêm a temperatura do atleta entorno dos 30ºC.   Os árbitros não foram esquecidos, passaram a usar blusas amarelas de manga curta, deixando no passado o aspecto sisudo dos uniformes pesados e totalmente pretos.
  
Alguns dispositivos eletrônicos entraram em campo, com a promessa de reduzir injustiças da arbitragem.  Quatorze câmeras são colocadas ao redor das traves de gol, e interconectadas a computadores, que fazem leitura da posição da bola 30 vezes mais rápido do que o olho humano. Caso a bola ultrapasse a linha do gol em poucos milímetros, um sinal é enviado para o relógio de pulso do juiz, que então pode validar o gol com maior respaldo.

Usando solfwares apropriados, hoje em dia é possível saber que um jogador de futebol corre em média 10,8km durante 90min, enquanto que em 1966, quando começou a era da preparação física, eles corriam apenas 6km por partida.

Creio que na nossa Copa, muitas novidades no campo da tecnologia ainda irão nos surpreender; é o bom ficarmos de olho para não perdermos nenhum lance!

domingo, 13 de abril de 2014

No domingo, dia 30/03/2014, aconteceu um clássico do futebol carioca, Vasco e Fluminense.  Torcidas apaixonadas compareceram a semifinal do campeonato estadual do Rio de Janeiro. O jogo terminou com 1 a 0 para o Vasco, e um gol anulado do atacante Fred do Fluminense.  Este resultado levantou várias dúvidas sobre o real impedimento que veio a anular o único gol do Flu. Correndo apenas na lateral do campo, o desafio do bandeirinha (árbitro auxiliar) é observar dois acontecimentos simultâneos para marcar o impedimento.   Ao mesmo tempo, que ele observa o lançamento da bola, ele tem que registrar se o jogador que recebe a pelota está a frente dos jogadores do time adversário.  Dependendo da onde a bola foi lançada fica muito difícil este árbitro registrar o impedimento.  


Recentemente, foi publicado um estudo onde apresenta um experimento super simples, que é capaz de cronometrar o tempo que o árbitro leva para movimentar a cabeça de um lado para o outro, a fim de observar um possível impedimento.Acopla-se uma régua na parte superior de um boné que é posto na cabeça de um voluntário, em seguida a régua fica posicionada entre dois fotossesores (sensores a luz). Ao girar a cabeça para um dos lados, a régua ativa um dos fotossensores causando o disparo do cronômetro, e para o outro lado desliga-o via o segundo fotossensor.  Foi medido que o intervalo de tempo que o bandeirinha faz este movimento é de 0,40s a 0,85s (centésimos de segundo). Concluindo-se que é impossível a marcação de impedimentos nos jogos de futebol somente com a visão humana, pois é essencial a observação de dois acontecimentos simultâneos. A utilização de câmeras de filmar para fins de julgamento ao longo do jogo permitiria este detalhamento, tirando qualquer dúvida a respeito de impedimentos. Quem sabe assim, o jogo deste final de semana não teria tido um desfecho diferente para alegria dos “pó de arroz” ?

Matéria postada por Luiz Felipe (conhecido como Pequeno) do Instituto de Física da UERJ. 

quarta-feira, 19 de março de 2014

A tecnologia ajudando o Remo


Com o objetivo de melhorar ainda mais o desempenho dos atletas do remo olímpico, o engenheiro eletrônico Marcio Nogueira de Souza desenvolveu um aparelho capaz de fornecer dados, tais como: a velocidade do barco, o número de remadas por minuto, sua aceleração, o trajeto percorrido e o desempenho técnico do remador. O aparelho é aprova d’água e mede apenas 9x7 cm², podendo se encaixar no fundo do barco.

Segundo o pesquisador, possuir essas informações representa o diferencial com que todo treinador sonha em trabalhar, pois geralmente os técnicos somente contam com observações visuais para a avaliação dos atletas.

Souza acredita que com o auxílio de seu aparelho, o atual cenário do remo brasileiro possa mudar, pois não há como o Brasil formar atletas competitivos internacionalmente sem investir em tecnologia esportiva.


Para maiores informações ler matéria da Revista Faperj, fevereiro 2014.
Matéria escrita pelo licenciando em Física da UERJ, Caio Maximiano.

segunda-feira, 10 de março de 2014

O Bicampeonato Mundial do Duda

         Enquanto o Brasil dançava e pulava pelos quatro cantos, bem longe daqui, na Polônia o atleta MAURO VINICIUS DA SILVA, o “DUDA”, nos brindava com o bicampeonato mundial de salto em distancia indoor (arena fechada), na última tentativa ao saltar 8,28m e bater o seu próprio recorde de 2012. A conquista dele é inédita, nunca antes na história deste país, nenhum atleta ganhou duas medalhas de ouro em edições de mundiais de atletismo.




Do ponto de vista físico, o Salto em Distancia pode ser entendido como um lançamento de projétil. Melhor dizendo, o centro de massa (CM) do atleta descreve uma trajetória parabólica durante os instantes que o corpo não tem contato com o solo.  O CM é um ponto fictício, que pode ser entendido como um local “especial”, onde toda a massa do corpo estivesse concentrada ali.  No caso do ser humano, CM fica próximo ao umbigo. 

Para o saltador aumentar o alcance ao fim do salto, ele tem que trabalhar duas grandezas físicas: a velocidade de partida (ao se lançar para o salto) e o ângulo que ele faz com o plano horizontal (solo) ao iniciar o salto.  Os atletas profissionais conseguem ângulos entre 20º a 25º, ainda longe dos ideais 45º, portanto, para um bom rendimento, eles precisam ser exímios corredores para atingirem altas velocidades de partida.

Parabéns Duda!  Esperamos por você aqui no Rio de Janeiro em 2016.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Aula de física com skeleton, luge e bobsled

Esta matéria foi ao ar dia 8 de fevereiro de 2014 no canal Sport tv.


O programa Zona de Impacto me convidou para falar um pouco sobre a Física envolvida
em alguns esportes de gelo.
Tal assunto surgiu em virtude do início das Olimpíadas de Inverno em Sochi, cidade da Rússia. 

O pessoal do Sport tv selecionou três esportes para serem discutidos: o bobsled, o luge e o skeleton. 


Creio que esta escolha se deu pelo fato de serem considerados "radicais", uma vez que é possível atingir velocidades altíssimas nos trenós (130km/h). 

Convido a todos para assistirem o vídeo do programa.