terça-feira, 31 de maio de 2016

Tecnologia na Rio 2016: parte I

Nas mais acirradas disputas do esporte em tempos modernos, muitas vezes a imagem definitiva — aquela que consagra o campeão — é feia. Escura, desfocada, atende pelo nome de photo finish e, com precisão total, decretou, por exemplo, a última conquista de Usain Bolt. Em 23 de agosto, na final dos 100 metros rasos do Mundial de Atletismo realizado em Pequim, o sorridente corredor jamaicano cruzou a linha de chegada 1 centésimo de segundo antes do americano Justin Gatlin. Só uma câmera de última geração, capaz de registrar até 600 000 fotos por minuto, poderia flagrar a cena. Esse e outros equipamentos de ponta estão desembarcando no Rio antes dos atletas e, como os competidores, passam por severos preparativos para chegar tinindo ao início dos Jogos, no dia 5 de agosto de 2016. O photo finish, que garantiu mais um ouro para Bolt, fez sua grande estreia na primeira Olimpíada de Londres, em 1948, e, aperfeiçoado, hoje divide espaço com invenções mais recentes. Uma delas é a rede inteligente de vôlei, com sensores que entregam para o juiz quando algum jogador a toca. O dedo-duro eletrônico entrou em quadra nas partidas da Liga Mundial, em julho deste ano.


Cerca de 20% do orçamento olímpico, de 7,4 bilhões de reais, é destinado à tecnologia. Trata-se de uma dinheirama proporcional à trabalheira. Esse setor no comitê organizador é encarregado de providenciar de equipamentos de escritório a rede de internet para os jornalistas que vão cobrir as competições. São de responsabilidade da área 12 000 computadores e 15 000 celulares, entre outros itens contados aos milhares. Até maio do ano que vem, estão previstas 200 000 horas de testes, somados os tempos dedicados a 1 200 peças de TI (tecnologia da informação), para prevenir qualquer imprevisto. Programas e máquinas que serão usados durante os Jogos vêm sendo submetidos a intermináveis simulações, nas quais são reproduzidas situações que podem acontecer durante as disputas. “O equipamento avaliado aqui vai para os eventos-teste, para evitar incompatibilidade e outros problemas”, explica Elly Resende, diretor de tecnologia da Rio 2016. Quando as provas começarem, o executivo de jeito tranquilo vai comandar um exército de 6 000 profissionais.
Matéria publicada na Revista Veja Rio no dia 31/10/2015.

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Photofinish na Olimpíada do Rio

Parceira do Comitê Olímpico Internacional desde os Jogos de Los Angeles, em 1932, a Omega promete novas inovações na tecnologia de cronometragem para a Olimpíada do Rio de Janeiro, em agosto. A ideia da empresa suíça é fazer com que a precisão seja capaz de definir um vencedor, mesmo em provas de velocidade como nos 100 m do atletismo.
“O novo photo-finish nos mostra exatamente o que aconteceu na linha de chegada. São 10.000 imagens digitais por segundo”, contabiliza Alain Zobrist, CEO da Omega Timing, mostrando figuras captadas pelo novo instrumento, que estreia no Rio de Janeiro.
“Se dois atletas terminarem a prova no mesmo centésimo de segundo, a câmera será capaz de detectar quem venceu. Empates não são mais possíveis no atletismo”, conta Alain Zobrist, CEO da Omega Timing.
Até os Jogos de Londres, em 2012, dois pares de fotocélulas, postados na linha de chegada, emitiam feixes de luz para determinar quem venceu a prova.
“Nas corridas de cadeirantes da Paralimpíada, por causa de sua especificidade, testamos a utilização de quatro feixes de luz. Neste ano, vamos usar esse equipamento também para o atletismo olímpico”, contou Zobrist.
A empresa montou sua parafernália na pista do estádio Nilton Santos, o Engenhão, que recebe o Campeonato ibero-Americano de atletismo de sábado a segunda-feira. A competição serve como evento-teste para os Jogos do Rio.
Na sala de cronometragem, uma equipe grande trabalha para testar os equipamentos. São 18 monitores, entre TVs, desktops e notebooks, que captam os resultados detectados pelas câmera e cronômetros espalhados pelo estádio e são capazes de dar, em tempo real, os resultados dos atletas, tanto em provas de pista como de saltos e arremessos.
Para a Olimpíada, esse número será um pouco maior. São 450 toneladas de equipamentos e 200 km de fios e cabos para dar conta da medição de todas as modalidades.
 *O repórter viajou a convite da Omega


Original: http://maquinadoesporte.uol.com.br/artigo/omega-estreia-equipamento-prova-de-empate-em-jogos-do-rio-2016_30397.html#ixzz4AB5CP7BO

terça-feira, 15 de março de 2016

Rede de vôlei de praia com LEDs no Gram Slam do RJ


 
 A rede de vôlei feita de LED teve sua estréia no vôlei de praia no Grand Slam do Rio de Janeiro, evento teste para as Olimpíadas 2016, que aconteceu neste começo de março.  A rede de LED faz sucesso visual entre os espectadores, compondo imagens e palavras com suas inúmeras lampadazinhas de diferentes cores, entretanto, sua aprovação é alvo de crítica por parte dos atletas.   



O Prêmio Nobel de Física em 2014 foi agraciado a dois japoneses, e um americano pela descoberta da luz de LED na cor azul.  Esta invenção foi reconhecida como de extrema importância porque era o que faltava para produzir lâmpadas de luz branca com LEDs.  A luz branca é composta a partir da mistura das cores primárias azul, verde e vermelha, sendo que estas duas já haviam sido fabricadas. Todos os LEDs são feitos de materiais semicondutores, no caso do azul, em nitreto de gálio. A grande vantagem em usar as lâmpadas de LED é porque são muito mais econômicas tanto na fabricação quanto no consumo de energia.  Assim, estas lampadazinhas vem revolucionando os cenários de muitos locais, e nos últimos tempos começaram a entrar nos eventos esportivos.  


Representado por Alison Mamute, da dupla que está em primeiro lugar mundial, deu seu parecer sobre esta novidade: “trata-se de um dos primeiros grandes eventos do ano, no Rio de Janeiro, praticamente o evento que antecede os Jogos, estrearem uma rede dessa, totalmente diferente do que estamos acostumados... As redes das quadras de fora são de um jeito, a de dentro é de outro. A altura da rede estava irregular, ela não podia ser consertada. Não acho que isso cabe com um torneio desse porte.”  


E ainda seu parceiro Bruno acrescentou:  “Parece uma grade de plástico. A gente costuma usar a rede como acessório de jogo: para salvar uma bola, para um recurso de saque. Está bem diferente... Não é só a gente, jogadores do mundo inteiro estão achando isso”.

Entre contra e a favor, parece que a rede de LED veio para ficar, quando o organizador do comitê olímpico responsável por esta modalidade justificou: “É a primeira etapa do Circuito Mundial que está utilizando esse recurso tecnológico até os Jogos, ela deverá estar mais fina.” 

segunda-feira, 14 de março de 2016

O sistema tecnológico de desafio entra no vôlei de praia






O Grand Slam do Rio de Janeiro, evento teste de Vôlei de Praia das Olimpíadas 2016, ocorreu nesta semana nas areias de Copacabana.  Contou com a participação das melhores duplas mundiais, tanto das categorias feminina quanto masculina.  Foi também palco de despedida do jogador paranaense Emanuel, que ao longo de 25 anos de carreira conquistou mais de 150 títulos, entre eles três medalhas Olímpicas (ouro em Atenas 2004, prata em Pequim 2008 e bronze Londres 2012).   E eu tive a sorte de estar lá e assisti-lo jogar com seu parceiro Ricardo sua última vitória como profissional!  Simplesmente sensacional!


O jogo foi duro, contra a dupla de russos, que sabiam “catimbar” tão bem como qualquer brasileiro, solicitando por algumas vezes o “desafio”.  O sistema tecnológico challenger, que em português quer dizer desafio entrou pela primeira vez nas areias de vôlei de praia.  Trata-se de um recurso onde várias câmeras de filmagem são dispostas em posições estratégicas entorno da quadra e o jogo é inteiramente gravado.  Assim, os jogadores podem solicitar a qualquer momento a revisão de um ponto, quando as imagens são apresentadas em câmera lenta em grandes telões, tirando-se a dúvida com toda clareza.  


Neste jogo, em alguns momentos, os russos aproveitaram este recurso para “esfriar” a dupla olímpica, na tentativa de quebrar a sequência de pontos conquistados.  Mas, nada ofuscou o brilho do “rei” do vôlei de praia, que na sua simplicidade em jogadas plásticas de leveza, ali deixou sua marca nos brindando com sua última vitória como profissional deste esporte.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Como se mede a velocidade do saque de tenis?

No tenis, 2015 foi o ano do sérvio Novak Djokovic. Ele chegou a todas as finais dos quatro Grand Slams. Participou das decisões em todos os torneios que disputou e ganhou onze vezes. Venceu todos os seus principais rivais mais de uma vez. Fechou o ano com 82 vitórias em 88 jogos, com aproveitamento de 93,2%. Apenas quatro tenistas na história obtiveram melhor êxito: John McEnroe (96,5%, em 1984), Jimmy Connors (95,9%, em 1974), Roger Federer (mais de 94% em 2005 e 2006) e Bjorn Borg (93,3%, em 1979). (esporte.uol.com.br).

No jogo de tênis, assim como o de vôlei, o bom saque é arma fundamental para a vitória, quanto maior for a velocidade da bola na realização deste fundamento mais difícil será para o adversário rebatê-la.  Os tenistas de alto desempenho conseguem atingir velocidades entorno de 125km/h no saque!  Para medir velocidades tão altas assim em um intervalo de tempo tão pequeno é necessário o uso de tecnologia sofisticada, como é descrito em matéria abaixo.

Olho no canhão: Radares emitem freqüências de rádio para calcular a rapidez da bomba
(http://mundoestranho.abril.com.br)

1. Nos principais torneios de tênis, a velocidade de um saque é medida por um radar, que emite ondas em uma freqüência específica de rádio para calcular a rapidez do petardo só para dar uma idéia, na maioria dos modelos essa freqüência fica entre 10 gigahertz e 35 gigahertz. Quando o tenista dispara a bolinha, o radar lança essas ondas no ar
2. As ondas emitidas pelo radar batem em todos os objetos pelo caminho e voltam ao aparelho. Quando os objetos estão parados, a freqüência da onda de retorno é igual à freqüência inicial. Mas quando ela bate em alguma coisa em movimento como a bolinha a freqüência se modifica proporcionalmente à velocidade do objeto e volta com um valor muito maior
3. A etapa seguinte é a filtragem: como o radar recebe centenas de ondas de volta, ele precisa identificar qual delas bateu na bolinha e voltou. Geralmente, é a onda que tem a maior freqüência. A não ser que um objeto mais rápido que a bolinha atravesse a quadra bem na hora do saque, o que é bem difícil de acontecer
4. No passo final, um minicomputador dentro do radar compara a freqüência da onda inicial com a freqüência da onda refletida pela bolinha. Depois, converte essa relação em velocidade e mostra o resultado em um placar na quadra. Os cálculos são complicados: se uma pessoa tivesse de fazê-los, passaria um set inteiro para calcular a velocidade de um único saque.


quinta-feira, 24 de setembro de 2015

A física dos esportes na Uerj Sem Muros 2015


O projeto Física dos Esportes participou da Semana Uerj Sem Muros 2015 com dois trabalhos. O primeiro mostrou alguns experimentos didáticos desenvolvidos com material de baixo custo para trabalhar em sala de aula ensinando alguns aspectos físicos do Surf e do esporte de inverno Luge. Este trabalho foi apresentado e desenvolvido pelos licenciandos de física Luiz Felipe e Vitor Hugo (imagem ao lado).  O segundo trabalho falou sobre o tenis de mesa e explicou através de resultados científicos como e o porque a bolinha perde energia ao colidir com a raquete.  Também apresentou experimento onde este fenômeno podia ser visto. Desta vez, foi o licenciando Antonio Henrique que se encarregou da apresentação (foto abaixo) .


terça-feira, 8 de setembro de 2015

Distancia final entre os corredores de curta e longa distancia

O primeiro ouro do atletismo de pista dos Jogos Pan-Americanos de Toronto foi do Brasil. Juliana Paula dos Santos cruzou a linha de chegada dos 5000m em primeiro lugar com o tempo de 15min45s97, quase dois segundos à frente da segunda colocada, a mexicana Brenda Flores (15min47s19). O bronze foi para a norte-americana Kelly Taylor, com a marca de 15min52s78.
Seria correto afirmar: Quanto maior a duração da prova desportiva, maior a diferença nas distancias relativas entre o primeiro, segundo e terceiro colocado? Em contrapartida, quanto menor a duração da prova, menor a diferença nos resultados entre o primeiro, segundo e terceiro colocado.

Utilizaremos como exemplo comparativo a corrida de 5.000m e a de 100m que ocorreram em Toronto no ano de 2015. Na prova dos 5.000m calculamos através da cinemática newtoniana a distância absoluta entre as três primeiras colocadas. Ao término da prova a mexicana ficou a 6m da brasileira e a americana a 30m da mexicana.  Considerando o tamanho total da prova (5000m) estes valores correspondem percentualmente a 0,12%, 0,60%, da distancia relativa, respectivamente.  Na prova dos 100m, o resultado foi o seguinte: a segunda colocada ficou a 36cm da campeã (0,36% da distancia relativa) e a terceira colocada a 18cm da atleta da segunda (0,18%).

Para fins de uma análise mais ampla, em busca de uma sistemática, fizemos os mesmos cálculos percentuais para as distancias 100m e 5000m das provas de corridas masculinas das Olimpíadas de Londres 2012 e Pequim 2008 e não verificamos uma relação direta entre a duração da prova e a diferença entre o resultado dos três primeiros colocados. 
Esta diferença é muito complexa, dependendo tanto de fatores corporais do atleta, quanto de fatores psicológicos do mesmo. Contudo, a partir dos exemplos e dados estudados podemos aferir que ao contrário do que intuitivamente pensamos, nas provas de curta distância, no caso 100m, os resultados tiveram uma diferença maior em média do que na prova de longa distância de 5.000m.  Portanto, é falso afirmarmos que quanto maior a duração de uma prova desportiva, maior a diferença nos resultados entre o primeiro, segundo e terceiro colocado. Na verdade, a grandeza relevante é a distancia relativa, e não a distancia absoluta.

Matéria postada por Vitor Hugo Senna, licenciando em Física na UERJ.