segunda-feira, 4 de junho de 2012

A velocidade inicial do lançamento de disco do Julião



No último dia 24 de maio, o atleta de lançamento de disco Ronald Julião confirmou a sua participação em Londres, ao obter a marca de 65,41m no GP do Rio de Janeiro.  É importante notar que o Brasil não tinha representantes nesta modalidade de atletismo há quatro edições dos jogos olímpicos. Também, na prova feminina, a atleta Andressa Oliveira garantiu sua presença, quando alcançou a marca de 62,63m.
O lançamento de disco é um dos esportes olímpicos mais tradicionais, fazendo parte do calendário desde os primeiros jogos no final do século XIX. Este esporte avalia a força e potência do atleta, além de sua técnica. Incrívelmente, o recorde masculino desta modalidade não é batido há vinte e seis anos, quando o alemão Jürgen Schult cravou 74,08m. Na física o estudo do lançamento de disco pode ser modelado como um lançamento oblíquo, ou seja, uma composição de dois movimentos; na direção vertical desenvolve o movimento uniformemente variado (cuja aceleração é a gravitacional), e na direção horizontal o movimento é retilíneo uniforme, onde a velocidade é constante.   
Os dados apontam que os melhores atletas lançam o disco a ângulos próximos a 30º. Supondo que Julião fez seu lançamento classificatório sob este ângulo, é possível calcular a velocidade inicial do seu disco:  aproximadamente de 27,2 m/s. É importante notar que esta velocidade é conseqüência do movimento giroscópico do atleta com o disco que antecede ao lançamento do mesmo.  Sendo assim, quão mais rápido ele girar entorno de si mesmo, maior será a velocidade inicial do disco, o que prolongará a viagem do mesmo até o ponto de queda.
O link abaixo mostra um lançamento de disco feito por Ronald Julião:
Esta matéria foi postada por André Barbosa, aluno de licenciatura em Física da UERJ

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Aos meus alunos do curso de Física para Biologia

Esta postagem é destinada aos meus alunos do curso de Complementos de Física para a Biologia, UERJ 2012/1.

A ideia principal, é que vocês percebam a importância do aprendizado de conteúdos de física na suas vidas futuras como professores de ciências, mas também é importante desde cedo, conhecer os possíveis caminhos, além muros universitários, que os tornarão profissionais da educação.
Como vocês haviam me solicitado, indico para leitura duas provas aplicadas em concursos para seleção de professores de Ciências. 
Não consegui postar as provas aqui, porque estão em formato pdf e o blog não aceita. Mas, estas provas podem ser baixadas facilmente pelo google na internet.
1) Prova para concurso público para professor de Ciências Naturais, ano 2005, Prefeitura de Teresópolis.  As questões de física são: 23, 24, 25 e 26.
2)Prova para concurso público para professor de Ciências , ano 2010, SEPLAG. As questões de física são: 28, 34, 39 e 48.

Qualquer dúvida nas respostas das questões, podem fazer no link de comentários desta postagem que eu responderei.

                                                                 Abraços, Rosana

domingo, 1 de abril de 2012

Uma aula prática de física via corrida


Com intuito de ensinar os conceitos de velocidade instantânea e média para a turma de licenciatura em Biologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), realizei uma aula prática nas calçadas do nosso campi no Maracanã. 
A idéia principal foi montar uma corrida de curta distancia com os alunos, onde eles mesmos mediram o comprimento da pista e registraram os intervalos de tempo com os cronômetros dos seus celulares.  Logo após a aquisição de dados partiram para os cálculos das velocidades, responderam algumas perguntas e compararam suas velocidades com as dos corredores olímpicos, e assim, puderam de fato perceber o quanto nossos ídolos são rápidos. s corredores olimp, respondiam algumas perguntas e comparavam suas velocidades com as dos nossos i



Embora futuros professores de biologia e de ciências, estes jovens terão que ministrar aulas de física no último ano do ensino fundamental, quando a disciplina de ciências consiste em química e física. Com esta atividade foi possível mostrar que para aprender física não basta ficar somente na teoria, principalmente quando esta prioriza a decoba de fórmulas matemáticas.  É necessário aulas práticas, realidade pouco encontrada na maioria dos colégios. Mais do que isso, com um pouco de imaginação é possível produzir experimentos com ferramentas de fácil acesso, tais como as utilizadas aqui, transcendendo a simples observação do fenômeno para a inclusão de aquisição de dados.   Ficam aqui os registros desta aula,  esperando que os Esportes tenham inspirados a turma para o aprendizado de Física.

Mauro Silva e o acréscimo da distancia devido a queda do centro de massa


Quem acompanhou o mundial de atletismo indoor, realizado em Istambul, na Turquia, entre os dias 9 e 11 de março, teve uma grande surpresa. Mauro Vinícius da Silva, paulista de 26 anos, conseguiu a expressiva marca de 8,23 m na final da competição, o que lhe valeu a medalha de ouro no salto em distância.

A modalidade salto em distância pode ser analisada na física como um lançamento de projétil do centro de massa do atleta. Esse estudo, entretanto, possui uma peculiaridade. O centro de massa (CM) no início do salto encontra-se na altura da cintura do atleta, entorno de 60cm de altura do chão, enquanto que na aterrissagem ele se localiza no chão devido a queda. Com isso, além do tempo necessário para o CM do praticante desenvolver o movimento parabólico habitual, existe um acréscimo de tempo, responsável pela sua queda. Essa pequena contribuição é de grande importância, porque leva a um bom aumento da distância do salto. Cientes disso, os atletas costumam aterrissar inclinados para o lado, de modo a aumentar o tempo que o CM leva para atingir a caixa de areia.


Para efeito de ilustração da contribuição do espaço relativo ao tempo de queda do CM, consideremos o exemplo de nosso medalista: Supondo que Mauro iniciou o salto com velocidade horizontal de 9,74 m/s, quando o CM dele atingiu  novamente a altura de 60cm em relação ao solo, ele teria saltado 6,82m.  O tempo que o CM levou até cair no chão teria sido de 0,145s, o que corresponderia a uma distância adicional de 1,41m. Correspondendo a distancia total do salto de 8,23m.

Observe que o aumento do tempo de vôo do salto em apenas 0,001s representa 1cm a mais no alcance do salto. Parece pouco, mas, foi diferença que separou o brasileiro do terceiro colocado no mundial indoor de atletismo de 2012. Em um esporte onde Maurren Maggi era a única referência do Brasil, Mauro passa a ser uma grande esperança de medalha na próxima Olimpíada de Londres.
O link abaixo mostra o salto do Mauro Silva que lhe rendeu a medalha de ouro:
http://www.youtube.com/watch?v=YnhO9Gfsn8I

Esta matéria foi escrita por Cleovan José da Silva, aluno de Licenciatura em Física da UERJ.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Quem salta mais alto?


A Biomecânica é o estudo da mecânica dos organismos vivos.  Usa os princípios físicos das Leis de Newton para descrever o movimento do corpo humano e dos animais. É parte da Biofísica.
A Biomecânica externa estuda as forças físicas que agem sobre os corpos, enquanto que, a Biomecânica interna estuda a mecânica e os aspectos físicos e biofísicos das articulações, dos ossos e dos tecidos histológicos do corpo.
Uma das áreas de pesquisa da Biomecânica é o Rendimento no Esporte e em atividades físicas; como o próprio título diz, busca compreender e conceituar quais os mecanismos físicos responsáveis pela execução dos movimentos, aumento da força e velocidade associadas aos movimentos, entre outros fatores.
Dentro desta área de pesquisa, uma questão que ainda permanece como objeto de investigação é:  Qual é o salto mais alto que um ser humano pode dar?  Para responder a esta pergunta, a equipe do laboratório de Ciência do Esporte usou algumas técnicas de investigação em seus experimentos.  Abaixo estou anexando os dois primeiros vídeos que eles fizeram sobre este tema.  Vale a pena dar uma conferida!   



    

sexta-feira, 16 de março de 2012

A física dos esportes no AudioLab


Quem quiser ouvir a entrevista feita comigo para  AudioLab (Laboratório de Áudio da Faculdade de Comunicação Social da Uerj) pelo jornalista esportivo Maycon;
sobre as possibilidades de usar os esportes para o Ensino de Física nas escolas, e em cursos superiores,
basta acessar o endereço abaixo:

http://www.radiotube.org.br/detalhes.php?id=12128&opt=7&ord=0&crt=&us=2335&cm=

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Entendendo porque Giba fraturou a tíbia



Considerado seis vezes o melhor jogador de vôlei de quadra do mundo, e dono de vários títulos pela seleção brasileira - dois ouros em Mundiais, ouro e prata em Olimpíadas, entre outros – Giba fraturou a tíbia e precisou colocar uma haste de titânio ao longo de sua perna esquerda.

O que teria levado Giba a quebrar este osso, já que ele não sofreu nenhum acidente seja em quadra ou fora dela?  

A tíbia é o osso mais vulnerável da perna do corpo humano. Basicamente, o osso humano é constituído de componentes minerais, principalmente, o fosfato e o carbonato de cálcio, responsáveis pela rigidez, e componentes orgânicos, colágeno e água, que garantem certa elasticidade ao osso.  A força máxima de compressão que a tíbia aguenta é estimada em Fmax=5x104 N, ou seja, para valores superiores a este, ela quebra. Está força pode ser produzida pelo solo em oposição a um salto. Ao sofrer esta força a tíbia, momentaneamente, encurta 1cm.  

Então, qual seria a altura máxima que  ele deveria ter saltado para não ter tido risco de fratura na tíbia?

Partiremos de um modelo físico simplificado, onde suporemos, inicialmente, que o atleta ao encostar no chão, no movimento de retorno do salto, não dobre os joelhos. Desse modo, toda massa (m=85kg) dele irá incidir sobre a tíbia. É possível calcular, via as expressões básicas da cinemática, que a altura máxima sem risco de fratura da tíbia é apenas de 60cm.  No caso do Giba, este modelo requer alguns ajustes, porque, ele obviamente dobra os joelhos no retorno do salto. De modo que, deve ser considerado um percentual da massa total do corpo; ainda assim, creio que a altura máxima de segurança não seria maior do que 90cm.  Mas, sabe-se a impulsão do Giba é acima de 1,20m !  Pulando, assim, várias vezes por dia, fica claro que em algum momento a tíbia dele iria fraturar.

Acostumado a superar os desafios que a vida o impõe, o vibrante atacante, declarou no dia seguinte (14/2/2012) a sua cirurgia, que fará tudo que for necessário para se recuperar ainda em tempo para disputar as Olimpíadas deste ano em Londres.   Não há quem duvide dele. Ficaremos aguardando...  Giba neles!


.