terça-feira, 15 de julho de 2014

O gol da tecnologia: França e Honduras


Embora o time do Brasil não tenha tido uma boa atuação na Copa do Mundo de Futebol do seu país, a Copa das Copas (como ficou conhecida) foi um sucesso.

Vários foram os destaques, a começar pela hospitalidade e alegria da nossa população, a pontualidade dos vôos domésticos, e a inacreditável eficiência dos aeroportos e transportes terrestres.   

As novidades da tecnologia a favor da organização do evento dentro e fora de campo também foi outro marco. As tomadas de imagens televisivas das partidas de futebol, das fan fests e dos pontos turísticos das várias cidades em que ocorreram disputas foram maravilhosas, que caberiam um post para discuti-las, mas o maior destaque ficou realmente por conta do uso da Goal System Control 4D.  

Pela primeira vez na história das copas de futebol a tecnologia de detecção automática de gols deu o veredicto final, definindo um lance duvidoso.  Após análise das imagens das sete câmeras posicionadas em cada gol, o alarme foi emitido para relógio de pulso do juiz, confirmando que a bola da França havia entrado no gol de Honduras, e tudo isso foi feito em menos de um segundo. Incrível!  As imagens são, então, disponibilizadas nos telões para que todos possam perceber o detalhe da jogada que somente as câmeras foram capazes de captar.

O sistema alemão já tinha sido testado nos mundiais de clubes de 2012, 2013 e na Copa das Confederações, entretanto, não aconteceu nenhum lance duvidoso durante estes eventos. Quis o destino que fosse inaugurado aqui no Brasil, numa partida com árbitro brasileiro, e na Copa em que a equipe alemã tornou-se tetra campeã.    

Veja o lance em:    
https://www.youtube.com/watch?v=jFylEt2MWaY

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Do rádio a válvula ao relógio de pulso que diz ao juiz se foi gol

Do rádio a válvula ao relógio de pulso que diz ao juiz se foi gol
POR CARLOS ALBERTO TEIXEIRA



RIO - Desde a primeira Copa do Mundo, em 1930, a tecnologia vem evoluindo a um ritmo cada vez mais frenético. Os aficionados pelo esporte que não puderam assistir às pelejas da primeira Copa nos estádios acompanharam as partidas pelo rádio. Mas o rádio daqueles tempos era um verdadeiro móvel, geralmente adornando a sala de estar dos mais abastados. Os modelos mais avançados eram uma caixa com design apurado, com um dial e dois botões: volume e sintonia. Todos os aparelhos eram equipados com válvulas eletrônicas que exigiam, para começar a ouvir qualquer som, aguardar alguns segundos logo depois de ligar o monstrengo, para esquentar as válvulas.

Com a invenção do transistor em 1947, os circuitos eletrônicos ficaram bem menores, mas só em 1954 foi criado o primeiro rádio transistorizado, o Regency TR-1. Seis anos depois, em 1960, a Sony lançou seu radinho de pilha de bolso, aparelho que se tornou universal. As baterias eram pequenas, e o aparelho era bem durável, graças à “avançada” eletrônica japonesa.

A primeira transmissão comercial de TV foi feita pela americana CBS, em 1931, mas a Copa só teve cobertura pela televisão em 1954, em preto e branco, e ainda para poucos países. Na seguinte, em 1958, deu-se a primeira transmissão televisiva em escala considerada mundial. E em 1966, foram introduzidos equipamentos para replay, e o videotape estreava.

Em 1953, começaram oficialmente as transmissões de TV a cores, pela NBC, mas só 17 anos depois, em 1970 no México, aconteceu a primeira transmissão colorida da competição, que também marcou o primeiro uso de replays em câmera lenta e a primeira transmissão realmente mundial do evento via satélite.


“Com a chegada da cor, a natureza dos esportes como entretenimento mudou para sempre. A imagem tinha mais informação, liberando os comentaristas e narradores de serem tão radialistas, podendo focar em outros aspectos, tais como o desempenho de jogadores”, disse Iain Logie Baird, curador de TV no Museu Nacional de Mídia, no Reino Unido.

A primeira transmissão de TV via satélite foi feita da Europa para os EUA em 1962, por meio do satélite Telstar. E, a Copa de 2010, na África do Sul, marcou a História por ter sido a primeira a ser transmitida pela TV em Full HD e também, em baixa resolução, via dispositivos móveis, como smartphones e os primeiros tablets, já que o iPad fora lançado em abril.

Infelizmente, a promessa da nova tecnologia 4K TV para a Copa não se concretizou. A “TV Globo” transmitirá os jogos em 4K em telões urbanos no Rio. Mas não haverá qualquer transmissão ou streaming doméstico dessas partidas em 4K TV.

Dentro de campo, a tecnologia marca importante presença nesta edição da Copa. Será a estreia da GLT (Goal-Line Technology), anos depois de já ter sido introduzida em esportes como tênis e depois de uma experiência de sucesso na Copa das Confederações. Com a GLT, o juiz usa um relógio de pulso que informa inequivocamente se foi ou não gol, graças a 14 câmeras que enviam imagens digitalizadas para uma sala de controle localizada no topo do estádio.

Segundo Tony Shelton, da compilação “Science and Soccer”, avanços tecnológicos foram essenciais em venda de ingressos, organização de logística e de pessoal, gerenciamento de transportes e acomodações, credenciamento e controle de acesso aos estádios.

Em tempo, graças à tecnologia atual, você pode ver de graça no seu computador os principais momentos de todas as finais da Copa, desde a vitória do Uruguai, em 1930, até a vitória da Espanha, em 2010. Basta acessar <http://youtu.be/wdd-PEE5UNE>.


matéria do jornal Globo online, dia 8/6/2014.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

A estreia do Brasil na Copa do Brasil

A seleção brasileira estreou na competição contra a seleção da Croácia na Arena de São Paulo. Com dois gols de Neymar (2) e um de Oscar, nossa seleção venceu por 3 a 1. Durante e após a partida os canais televisivos  vem divulgando as diversas estatísticas, como por exemplo, a posse de bola dos times (Brasil 58% e Croácia 42%) e o número de desarmes (Brasil 7 e Croácia 13). Em alguns jogos também apresentam informações da distância percorrida e da velocidade máxima de cada jogador. A FIFA está divulgando em seu site todos estes dados; desse modo, não podemos deixar de analisar a Física envolvida neles.

Qual jogador percorreu a maior distância durante a partida? Qual jogador da seleção brasileira teve maior velocidade máxima? Quem teve a maior velocidade média? Essa e outras questões podem ser respondidas ao analisarmos as estatísticas.  Falando sobre distância percorrida pelos jogadores da nossa seleção temos em primeiro lugar Luiz Gustavo com 11,166 km, Daniel Alves em segundo com 10,348 km e Oscar em terceiro com 9,931 km.
Como houve três substituições, seis jogadores permaneceram em campo por um tempo inferior ao dos outros oito jogadores. Por isso, para uma melhor discussão podemos utilizar o conceito de velocidade média. 

Calculando a velocidade média através da razão entre a distância percorrida pelo tempo em que o jogador permaneceu em campo, o nosso pódio é composto por Ramires com 2,23 m/s, Paulinho com 1,96 m/s e Luiz Gustavo com 1,92 m/s. Isso mostra uma característica dessa seleção brasileira, que os volantes participam intensamente do jogo, atacando e defendendo.  A realização das análises dessas grandezas físicas traz muitas informações sobre o perfil do jogo de cada time.  Em relação à velocidade máxima o pódio ficou formado por Ramires (31,07 km/h) , Bernard (29,23 km/h) e Marcelo (28,87 km/h).

Outro ponto que pode ser abordado é o mapa de “calor” que apresenta os locais por onde o jogador se locomoveu durante a partida.


Na figura acima podemos observar os mapas de Neymar, Oscar e Hulk. Lá podemos ver os posicionamentos de Neymar e Hulk pela direita (Hulk jogando bem próximo da linha lateral), e Oscar pela esquerda. Vale ressaltar, que Neymar e Oscar também tiveram deslocamentos pelo centro, porém, a maior parte dos deslocamentos foi pelas laterais.  

Todas estas estatísticas colaboram para um melhor entendimento da nossa seleção, e para uma melhor armação do próximo time opositor, no caso, o México.  

Postado por Osmar Preussler (Mestrando e Prof. de Física da rede estadual do RJ)

terça-feira, 3 de junho de 2014

Saltibum: saltos ornamentais


  • Após nove semanas de provas de saltos ornamentais com atores e atrizes durante o programa televisivo do Luciano Huck na rede Globo, o público pode se familiarizar, em parte, com este esporte olímpico pouco divulgado aqui no Brasil. A cada etapa vencida neste programa, a dificuldade imposta aos concorrentes amadores aumentava, literalmente, aumentava a altura da plataforma que eles deveriam saltar (3m; 5m; 7,5m; 10m).

  • O salto ornamental é esporte olímpico desde 1904, e determina que os atletas mergulhem de trampolins de 1m, e 3m e plataforma de 10m de altura, fazendo acrobacias durante o percurso.   Quando o atleta salta da plataforma, a força da gravidade atua sobre ele, imprimindo uma aceleração constante e igual a g= 9,8m/s2, de modo a aumentar sua velocidade continuamente até atingir a superfície da água.

  • Num primeiro momento, para uma análise simples do movimento, podemos desprezar a força associada a resistência do ar, que se opõe a direção de queda do atleta.  Deste modo, é possível considerar a conservação da energia mecânica do movimento, que resulta a obter o valor da velocidade do atleta ao tocar a água (v=sqrt(2gh)). Observe que a velocidade final somente depende da altura da plataforma (h) e da aceleração da gravidade, e não depende da massa corporal do atleta! Portanto, quanto mais alta a plataforma maior será a velocidade atingida por ele ao entrar na água. Para alturas de 3, 5 e 10m as velocidades finais são: 27,6km/h; 35,6km/h e 50,4km/h, respectivamente.

  • Portanto, é totalmente compreensível que os competidores do programa Saltibum tivessem receio de saltar da plataforma de 10m, especialmente, por saberem que a possibilidade de entrar na água corretamente era bem baixa!

terça-feira, 13 de maio de 2014

A Ciência da Copa do Brasil

Esporte, ciência e tecnologia sempre andaram juntos; entretanto, perceber as novidades nem sempre é fácil, especialmente, pelos torcedores, quando o  mais importante é a vitória do time do coração.  

Aproveitando a proximidade da Copa do Mundo de Futebol, a Revista INFO do mês de maio traz uma matéria interessante sobre a evolução tecnológica dos diversos aspectos que compõe este esporte.  Os avanços estão desde a bola, chuteiras, camisas, arbitragem, tecnologia dos estádios e preparação física dos atletas, e principalmente a evolução na transmissão dos jogos nos meios de comunicação.  Aqui, farei um breve resumo de alguns tópicos que achei mais interessante, a começar pela evolução do uniforme dos jogadores.

Nem eu sabia, mas a camisa do uniforme oficial do Brasil nem sempre foi amarela, na primeira participação na copa de 1914 à de 1950, ela era branca com cola azul e feita de algodão.  Pesava 400gr e quando encharcada por suor chegava a 450gr.  Outro aspecto negativo era que devido a reter grande umidade, a temperatura entre o corpo do atleta e a camisa, abaixava chegando a 24º C, provocando calafrios.  Após tentativas de fabricação com outros materiais, a camisa que será utilizada neste mundial é de dry fit, material feito a partir da reciclagem de garrafas pets, usa cola no lugar da costura, e pesa apenas 134gr. Este material deixa o corpo ventilar, não retêm suor e mantêm a temperatura do atleta entorno dos 30ºC.   Os árbitros não foram esquecidos, passaram a usar blusas amarelas de manga curta, deixando no passado o aspecto sisudo dos uniformes pesados e totalmente pretos.
  
Alguns dispositivos eletrônicos entraram em campo, com a promessa de reduzir injustiças da arbitragem.  Quatorze câmeras são colocadas ao redor das traves de gol, e interconectadas a computadores, que fazem leitura da posição da bola 30 vezes mais rápido do que o olho humano. Caso a bola ultrapasse a linha do gol em poucos milímetros, um sinal é enviado para o relógio de pulso do juiz, que então pode validar o gol com maior respaldo.

Usando solfwares apropriados, hoje em dia é possível saber que um jogador de futebol corre em média 10,8km durante 90min, enquanto que em 1966, quando começou a era da preparação física, eles corriam apenas 6km por partida.

Creio que na nossa Copa, muitas novidades no campo da tecnologia ainda irão nos surpreender; é o bom ficarmos de olho para não perdermos nenhum lance!

domingo, 13 de abril de 2014

No domingo, dia 30/03/2014, aconteceu um clássico do futebol carioca, Vasco e Fluminense.  Torcidas apaixonadas compareceram a semifinal do campeonato estadual do Rio de Janeiro. O jogo terminou com 1 a 0 para o Vasco, e um gol anulado do atacante Fred do Fluminense.  Este resultado levantou várias dúvidas sobre o real impedimento que veio a anular o único gol do Flu. Correndo apenas na lateral do campo, o desafio do bandeirinha (árbitro auxiliar) é observar dois acontecimentos simultâneos para marcar o impedimento.   Ao mesmo tempo, que ele observa o lançamento da bola, ele tem que registrar se o jogador que recebe a pelota está a frente dos jogadores do time adversário.  Dependendo da onde a bola foi lançada fica muito difícil este árbitro registrar o impedimento.  


Recentemente, foi publicado um estudo onde apresenta um experimento super simples, que é capaz de cronometrar o tempo que o árbitro leva para movimentar a cabeça de um lado para o outro, a fim de observar um possível impedimento.Acopla-se uma régua na parte superior de um boné que é posto na cabeça de um voluntário, em seguida a régua fica posicionada entre dois fotossesores (sensores a luz). Ao girar a cabeça para um dos lados, a régua ativa um dos fotossensores causando o disparo do cronômetro, e para o outro lado desliga-o via o segundo fotossensor.  Foi medido que o intervalo de tempo que o bandeirinha faz este movimento é de 0,40s a 0,85s (centésimos de segundo). Concluindo-se que é impossível a marcação de impedimentos nos jogos de futebol somente com a visão humana, pois é essencial a observação de dois acontecimentos simultâneos. A utilização de câmeras de filmar para fins de julgamento ao longo do jogo permitiria este detalhamento, tirando qualquer dúvida a respeito de impedimentos. Quem sabe assim, o jogo deste final de semana não teria tido um desfecho diferente para alegria dos “pó de arroz” ?

Matéria postada por Luiz Felipe (conhecido como Pequeno) do Instituto de Física da UERJ. 

quarta-feira, 19 de março de 2014

A tecnologia ajudando o Remo


Com o objetivo de melhorar ainda mais o desempenho dos atletas do remo olímpico, o engenheiro eletrônico Marcio Nogueira de Souza desenvolveu um aparelho capaz de fornecer dados, tais como: a velocidade do barco, o número de remadas por minuto, sua aceleração, o trajeto percorrido e o desempenho técnico do remador. O aparelho é aprova d’água e mede apenas 9x7 cm², podendo se encaixar no fundo do barco.

Segundo o pesquisador, possuir essas informações representa o diferencial com que todo treinador sonha em trabalhar, pois geralmente os técnicos somente contam com observações visuais para a avaliação dos atletas.

Souza acredita que com o auxílio de seu aparelho, o atual cenário do remo brasileiro possa mudar, pois não há como o Brasil formar atletas competitivos internacionalmente sem investir em tecnologia esportiva.


Para maiores informações ler matéria da Revista Faperj, fevereiro 2014.
Matéria escrita pelo licenciando em Física da UERJ, Caio Maximiano.